quarta-feira, outubro 11, 2006

O BOLO SOLADO DO COZINHEIRO LAERTE

É compreensível a reclamação do Laerte Braga, que segue abaixo, mas faltou originalidade à sua técnica, no que se refere ao "modus operandis", para salvar o seu candidato: desacreditar a mídia. Percorrendo a sua linha de pensamento, conclui-se que todo o complexo informativo do País está comprado, e, por aí, toda essa trama sinistra, urdida nos bastidores da política, envolvendo os homens do presidente Lula, há de ser, segundo a visão que ele nos traz, uma gigantesca mentira. Trata-se, como sabido é, de alegação esmolambada, que, como piada velha, tenta fazer algum sucesso apesar da caduquice.

Na sua arenga pseudo-analítica, como que seguindo uma receita de bolo, Laerte buscou o momento certo para colocar a cor dourada na massa Lula, reforçada nos generosos punhados de fermento biográfico, de modo a transformar lama pegajosa em iguaria de excelente apresentação: é quando ele percorre a trajetória do presidente-vítima, do pobre retirante sofredor, que a poder de "muita luta", chega à condição de Presidente da Nação. Sua intenção é clara: associar uma suposta armação da mídia à queda do seu candidato na preferência do eleitor. Enfim: o seu Lulinha Paz e Amor é um santo que, por força das tramas da mídia, despenca do altar. É disso que ele quer nos convencer, enquanto prepara a massa do bolo Lula.

Dentro dessa metafórica colocação, o bolo do Laerte vai ao forno, mas ele não consegue ocultar, por detrás dessa fumaceira onde o seu bolo Lula assa, as caixas e pacotes de certos ingredientes que deveriam estar presentes na massa, mas que sequer foram abertas. Dentre essas caixas, a gente consegue ver, apesar da névoa de fumaça, a mais vistosa: a caixa dos FATOS. A mídia não inventou as cenas que vimos na tela da TV. Tampouco, inventou Pallocis, Dirceus, Delúbios, Silvinhos, Berzoinis e outros, todos eles, amigos próximos e de longa data de um Lula que se diz traído, caindo um após outro, como numa fileira de pedras de dominó. Nenhuma dessas quedas foram inventadas. Foram fatos, que a mídia tratou como deveriam ser tratadas, ou seja, como notícias, e tanto foram verdadeiras, que nenhuma das cenas filmadas foi apontada como montagem das "zelites" ou da oposição. Este e outros ingredientes estão na caixa FATOS, e o Laerte sabe que aqueles ingredientes foram adquiridos no armazém da Dona Mídia. Mas, para que falar da fonte de um produto, se ele não

foi usado na massa? E olhe que a caixa FATOS, que é produzida e oferecida pela Dona Mídia, tem o selo de garantia da Procuradoria-Geral da República; mas Laerte desprezou o produto, porque não confia (ou não convém confiar) na marca.

Podemos ver ainda, por detrás da fumaça do seu assado, alguns outros pacotes de ingredientes, que, tal como aconteceu com os contidos na caixa dos FATOS, o Laerte não colocou na sua massa, e um destes é o pacote Promessas de Campanha. Nesse momento, ocorre de alguém perguntar ao Laerte, o porquê de também não ter usado usado esse produto na massa que está assando, vez que a caixa nem foi aberta.

— Está sem a etiqueta de validade— responde o Laerte com o seu sorriso lógico.

É aí que ocorre a um dos presentes verificar as datas de validade, tanto da caixa FATOS, quanto da PROMESSAS DE CAMPANHA. A caixa FATOS está dentro do prazo de validade, mas, na caixa PROMESSAS DE CAMPANHA, falta realmente a etiqueta, e o que se vê no lugar dela é uma frase, que diz: "o que a gente diz na campanha é uma coisa, mas, quando a gente está no governo, a gente tem que dizer outra (Lula)".

O bolo, em cuja massa não entraram dois ingredientes importantes, uma vez assado, é retirado do forno fumarento, e, aí, constatamos que o bolo solou. Mas o Laerte encontra logo uma explicação:

— A culpa é da Dona Mídia, que só vende produtos de má qualidade no seu armazém. Vou lá para reclamar.

— Mas, Laerte — alertamos — o único produto fabricado pela Dona Mídia são os FATOS, cuja caixa você nem abriu. Você só usou os produtos fabricados pela fábrica PT e, ainda por cima, não usou os ingredientes da caixa PROMESSAS DE CAMPANHA. Vai reclamar de quê?

Mas o Laerte, ainda assim, vai em busca de Dona Mídia para fazer a sua reclamação, deixando-nos imersos na seguinte constatação: nenhum cozinheiro admite que errou na receita.

Net 7 Mares net7mares@oi.com.br


A MÍDIA E A ELEIÇÃO – ALGUMAS LEMBRANÇAS

Laerte Braga

Em 1973 morria num acidente aéreo próximo ao aeroporto de Orly, Paris, um dos mais notáveis intérpretes da música popular brasileira, Agostinho dos Santos. O acidente ocorrera por volta das 7 horas da manhã em Paris, 3 horas da madrugada aqui no Brasil.

A redação da REDE GLOBO no Brasil toma conhecimento do fato em torno de 4 horas da madrugada e o editor de plantão determina que a central de jornalismo em São Paulo vá entrevistar a família do cantor antes que ela soubesse da morte, sobre o que ele fora fazer em Paris. Combina que a notícia da morte chegaria no justo momento da entrevista para que fossem filmadas ao vivo as reações dos familiares.

Uma repórter sai com a equipe e quer saber da filha de Agostinho dos Santos o que o cantor fora fazer em Paris. Dada a resposta, fora cantar no Olimpya, chega, como combinado a notícia da morte e segue-se o histerismo da global. “Olhem a família está traumatizada, vejam o drama, Agostinho morreu” e vai por aí afora.

À noite, como as reações tivessem surpreendido a emissora, a matéria é exibida no JORNAL NACIONAL e segue-se um pedido de desculpas e a comunicação que a jornalista fora demitida.

Um grupo de jornalistas brasileiros no exterior, sabedor das costumeiras mentiradas de VEJA, forja um documento da Academia de Ciências da Inglaterra, sobre uma descoberta revolucionária que permitiria que determinado tratamento fizesse com que as vacas produzissem leite com sabor e colorido. Sabor morango, sabor chocolate e o diabo a quatro.

VEJA publica a notícia. O fato é desmentido pelos jornalistas que contam, em nota oficial, que tudo fora forjado apenas para mostrar que VEJA publica qualquer mentira. Não tem critério e nem tem preocupação com o leitor. O negócio é ou quem paga, ou notícias como a do leite colorido, a notícia sem conseqüências para iludir os leitores de boa fé.

A campanha pelas Diretas Já ganha as ruas do País, comícios juntando multidões acontecem em todas as principais cidades brasileiras e o JORNAL NACIONAL omite. Não noticia. Só o faz quando o general/ditador, Figueiredo, afirma que gostaria de estar num daqueles comícios, mas por enquanto não pode, ou seja, dá o sinal verde e...

Tchan tchan tchan, quando percebe que nas Forças Armadas o grupo favorável a eleição de um presidente civil é majoritário. Aí a campanha das diretas sai na GLOBO.

Em 1988 a rede começa a fabricar Collor de Mello, um filhinho de papai, governador do Estado de Alagoas, ele próprio marajá e que a conselho de marqueteiros caça marajás, mas só os que são contra ele. Um das edições do GLOBO REPÓRTER transforma Collor de Mello em herói nacional e catapulta-o dos salões do cheira cheira para o centro de Brasília.

Quando o processo de impedimento do presidente corrupto e venal começa o JORNAL NACIONAL silencia. O fato só vem a ser noticiado quando José Sarney, ex-presidente, amigo de Roberto Marinho e dono da GLOBO no Maranhão, pega Itamar Franco, um misto de vedete do teatro rebolado com pretensões de síntese e símbolo da ética e leva á casa de Marinho, no Rio, no Cosme Velho.

Sarney apresenta Itamar a Marinho e o então vice declara que nada fará na presidência para prejudicar a GLOBO.

No dia seguinte o JORNAL NACIONAL começa a dar notícias da mobilização popular pelo impedimento de Collor.

Em 2002 a rede enfrenta uma crise financeira e há um pedido de falência numa corte distrital de New York. A GLOBOPAR, uma empresa do grupo que opera a tevê por satélite, está indo para o brejo, são necessários 250 milhões de dólares para que o grupo todo não se veja no buraco, até pelos altos custos do PROJAC. Um projeto megalomaníaco de Roberto Marinho e executado com dinheiro público.

Como encontrasse dificuldades no acerto das “comissões” com FHC, o pessoal do Ministério das Comunicações (Pimenta da Veiga) e o BNDES, lança Roseana Sarney, então governadora do Maranhão, como candidata a presidente. Contrata o IBOPE para transformá-la em líder nas pesquisas e começa a sepultar a candidatura de José Serra.

Uma assembléia geral da GLOBOPAR é convocada, o governo que, através do BNDES tem 5% por cento das ações (A GLOBO tem 90% e a Microsoft tem os restantes 5%) e aceita a decisão de aumento do capital. A parte que toca ao governo é de 250 milhões de dólares e na semana seguinte é aprovada a emenda que permite o capital estrangeiro até um limite nas empresas de rádio e telecomunicações.

Uma operação “secreta” da Polícia Federal é documentada com exclusividade pela GLOBO e Roseana se afasta do páreo. A GLOBOPAR é vendida para o grupo Murdoch.

No meio do caminho, quando percebem que a vitória de Lula é líquida e certa, correm ao petista e no dia seguinte ao da eleição o presidente aparece no JORNAL NACIONAL, um ridículo só, ao lado do robô apresentador Bonner, para mostrar de fato quem manda.

Jornais como a FOLHA DE SÃO PAULO e ESTADO DE SÃO PAULO defendem interesses de grupos paulistas, uma espécie de império financeiro e econômico sustentado pela exploração dos outros estados do Brasil. FOLHA DE SÃO PAULO conseguiu importantes avanços tecnológicos e se transforma num jornal de ponta, sob esse aspecto, o principal porta-voz do tucanato paulista e da FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo).

No ESTADO DE SÃO PAULO o debate ainda é sobre se denunciam a princesa Isabel por ter abolido a escravidão e apóiam os que defendem a proclamação da República, ou se ficam com o imperador Pedro II.

VEJA cuida da classe média recheando o denuncismo inconseqüente e muito bem remunerado com notícias mirabolantes como a do leite colorido e com sabor.

E assim o ESTADO DE MINAS, um dos últimos prostíbulos do grupo de Assis Chateaubriand ainda em funcionamento.

E vai por aí afora.

A comunicação no Brasil é pura desinformação. Atende a interesses dos donos do Estado, dos que controlam os “negócios” e trabalha com objetivos de alienar e fazer com que as pessoas acreditem que quem não usa nike não está com nada, isso até a reebock pagar mais, ou dois se acertarem e dividirem o tempo.

Esses interesses, esse controle dos negócios, num País que foi vendido por FHC, principal operador da principal máfia partidária, o PSDB, agrega jornalistas como Miriam Leitão, empregada de bancos, ou Alexandre Garcia, do antigo gabinete militar do governo Figueiredo e demitido por assédio sexual contra funcionária subalterna.

O interesse dessa gente hoje é colocar Alckmin no poder. O cara é o pastel completo para ser mastigado e devorado enquanto acabam de vender o Brasil, passam a escritura e enchem as burras sob as bênçãos da DASLU e da OPUS DEI.

Lula não é necessariamente o mal menor. Alckmin é o mal maior.

Quer ser o gerente a 20%, aceita 10% se os caras pressionarem. Está pronto para cumprir as ordens. Foi um dos governos mais corruptos de São Paulo.

Só que, a mídia não fala de tucano. São os braços dos que pagam e sustentam a mídia.

A chamada grande mídia no Brasil é só um instrumento podre das elites paulistas que, por sua vez, são podres e corruptas, mas sustentam-se da exploração do Nordeste e dos nordestinos. Da exploração do Sul e dos sulistas. Do Norte e dos nortistas.

Procurem saber onde estão as empresas da família Jereissati? As matrizes? Onde opera Carlos Jereissati, irmão de Tasso?

São bandidos próximos da perfeição no mundo do crime.

E descobriram que o drama da novela das oito comove mais que a fome, a miséria, o desemprego que eles provocam.

No meio do caminho tem o JORNAL NACIONAL. Uma pausa para iludir e enganar. E assim o resto.